Behind the Screens – Aventuras em ensaios clínicos na diabetes tipo 1
Autor: Campus Sanofi
Descubra os principais avanços em rastreio, biomarcadores e terapias emergentes para a diabetes tipo 1 autoimune (DT1) apresentados no simpósio internacional “Behind the Screens: Adventures in Type 1 Diabetes Clinical Trials”, realizado no âmbito do congresso EASD no passado mês de setembro em Viena, sob a moderação de Irene Caruso e Anette-Gabriele Ziegler.
Durante o evento, foram abordados estudos pioneiros que estão a redefinir o diagnóstico precoce e o tratamento da DT1, com especial atenção à infância e a novas estratégias terapêuticas.
Rastreio populacional no Reino Unido: Estudo ELSA
O Dr. Parth Narendran apresentou o estudo ELSA (Early Surveillance for Autoimmune Diabetes), centrado na avaliação da viabilidade e aceitação do rastreio populacional para detetar DT1 em fase pré-sintomática em crianças entre os 3 e os 13 anos. O estudo recrutou cerca de 25.000 crianças através de escolas, redes sociais e consultas de cuidados primários, utilizando uma amostra inicial de gota seca (DBS - dried blood spot), seguida de confirmação serológica nos casos positivos.
Os resultados mostraram que o rastreio é viável, com uma taxa de retorno de kits de 73%, e altamente aceite, já que 98% das famílias recomendariam o processo. Além disso, observou-se uma maior participação e taxa de positividade entre familiares de primeiro grau, sugerindo que este grupo poderia ser prioritário em futuros programas de rastreio.
Prevalência e progressão de 1 único autoanticorpo positivo na infância: resultados do estudo Fr1da
A Dra. Sarah Schill partilhou resultados de uma análise do estudo Fr1da, que analisou a prevalência e progressão de crianças com 1 único autoanticorpo positivo entre mais de 200.000 crianças rastreados entre os 2 e os 10 anos. Os dados mostraram que crianças com 1 único autoanticorpo e títulos elevados apresentavam uma probabilidade significativamente maior de progressão para estádios iniciais de DT1 (21%) e para o estádio 3 (3%), em comparação com crianças 1 anticorpo e com níveis padrão (8% e 0,2%, respetivamente) ou sem anticorpos (0,12% de progressão para estádio 3).
Durante a sua intervenção, a Dra. Schill sublinhou a importância de confirmar os resultados positivos com uma segunda amostra, pois muitos não se mantêm ao longo do acompanhamento. Recomendou ainda um seguimento estruturado a cada dois anos para crianças com títulos elevados, com o objetivo de melhorar a deteção e gestão precoce.
Limiares de HbA1c em adultos versus crianças com autoanticorpos
A investigadora Erin Templeman apresentou uma análise do estudo TrialNet sobre a utilidade da HbA1c como preditor de progressão para DT1 em adultos com autoanticorpos. Os resultados mostraram que o limiar padrão HbA1c 5,7% identifica crianças em maior risco de progressão do que adultos com o mesmo valor de HbA1c. No entanto, ao ajustar a HbA1c para a idade ou utilizar um limiar mais elevado (6,0%), o risco de progressão torna-se equivalente entre os dois grupos.
Templeman concluiu que seria recomendável adaptar as diretrizes clínicas, utilizando um limiar de HbA1c 5,7% para crianças e de HbA1c 6% para adultos, para melhorar a identificação da disglicemia e do risco de progressão na população adulta.
European Association for the Study of Diabetes (EASD). 61st EASD Annual Meeting, Viena, Áustria, 16–19 de setembro de 2025. Disponível em: https://www.easd.org/annual-meeting/easd-2025.html
MAT-PT-2500845 V2 – Novembro 2025