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Consenso alargado sobre o rastreio populacional na diabetes tipo 1

Autor: Campus Sanofi
Fique a conhecer os principais avanços e reflexões sobre o rastreio populacional para a deteção precoce da diabetes tipo 1 autoimune (DT1), apresentados no simpósio internacional “The Emerging Consensus for Population Level Screening to Detect Early Stage Type 1 Diabetes”, realizado no âmbito do congresso EASD, no passado mês de setembro em Viena, sob a moderação da Dra. Anastasia Albanese-O’Neill. Durante a sessão, especialistas internacionais abordaram os benefícios, desafios e estratégias para implementar programas de rastreio eficazes e equitativos, com o objetivo de melhorar o diagnóstico precoce e a gestão da doença.

 

Rumo a um consenso internacional sobre o rastreio populacional


A Dra. Anastasia Albanese-O’Neill, representante da Breakthrough DT1, abriu o simpósio destacando o crescente consenso internacional sobre a necessidade de implementar o rastreio populacional para detetar DT1 em fases iniciais. Explicou o modelo dos três estádios de progressão da doença e sublinhou que, embora os antecedentes familiares aumentem significativamente o risco, a maioria dos casos ocorre em pessoas sem historial familiar, o que reforça a necessidade de alargar o rastreio a toda a população.


Durante a sua intervenção, apresentou um documento de consenso internacional sobre monitorização em estágios iniciais, amplamente consultado e valorizado, e anunciou que a sua equipa está a desenvolver novas diretrizes de rastreio através de um processo estruturado de consenso, cuja publicação está prevista para breve.
 

Benefícios, riscos e métodos disponíveis para o rastreio


O Prof. Marian Rewers abordou os benefícios clínicos do rastreio precoce, como a possibilidade de monitorizar a progressão para a disglicemia, oferecer educação gradual às famílias e reduzir drasticamente as taxas de cetoacidose diabética (CAD) no momento do diagnóstico, passando de 40–60% para 2–4%. As pessoas rastreadas apresentam níveis mais elevados de péptido C e valores mais baixos de HbA1c no diagnóstico, o que favorece um melhor controlo glicémico a longo prazo e uma maior qualidade de vida.


Também foram discutidos os possíveis efeitos adversos do rastreio, como o desconforto físico das colheitas, o impacto psicológico, os falsos positivos ou negativos e os custos para as famílias e os sistemas de saúde. O professor sublinhou que estes riscos podem ser mitigados através de programas educativos, acompanhamento estruturado e uso de técnicas específicas. No entanto, referiu que o tempo necessário e o possível estigma social continuam a ser aspetos relevantes.


Quanto aos métodos de deteção de autoanticorpos, foram revistas cinco técnicas principais: RBA, Bridge ELISA, ECL, ADAP e LIPS, destacando as suas diferenças em sensibilidade, especificidade e aplicabilidade. Rewers insistiu que o rastreio ideal deve equilibrar sensibilidade e especificidade, sendo essencial confirmar os resultados antes de diagnosticar os estágios 1 ou 2 da doença.
 

Quem devemos rastrear, em que idade e com que frequência?


A Prof. Anette-Gabriele Ziegler apresentou evidência que apoia o rastreio na população geral, mostrando que crianças sem familiares com DT1 têm taxas de progressão semelhantes (42–43% em cinco anos) às que têm antecedentes, mas apresentam taxas mais elevadas de complicações como a CAD. Por isso, defendeu que estas crianças beneficiariam igualmente do diagnóstico precoce.


Foram propostos calendários específicos de rastreio para crianças que nunca foram testadas, com flexibilidade para os integrar em atividades de saúde pública já existentes. Em adultos, a professora adotou uma postura mais cautelosa, reconhecendo que a evidência ainda é limitada, embora dados recentes do estudo TrialNet mostrem taxas de progressão semelhantes entre adultos e crianças com DT1 em estágio 2.
 

 

Onde deve ser feito o rastreio e como comunicar os resultados?


A Prof. Chantal Mathieu apresentou recomendações de consenso sobre a implementação do rastreio, destacando a importância de integrar a deteção de autoanticorpos em atividades rotineiras de saúde pública, como campanhas de vacinação ou exames pediátricos, para garantir acesso equitativo a todos os grupos sociais, étnicos e territoriais.


Sublinhou que o pessoal envolvido deve conhecer todo o processo, desde a informação prévia ao rastreio até à entrega dos resultados e encaminhamentos, e que deve receber uma compensação adequada pelo seu trabalho. Quanto à comunicação dos resultados, recomendou o uso de linguagem clara e neutra, evitar gerar ansiedade desnecessária, oferecer canais de contacto direto para esclarecer dúvidas e estar atento a possíveis reações emocionais que exijam apoio profissional.


Por fim, a professora Mathieu apontou as lacunas existentes na evidência atual, como o significado clínico dos autoanticorpos únicos, os ambientes ideais para o rastreio, a progressão da doença em populações não brancas e a dificuldade em prever a evolução individual. Concluiu que o futuro do rastreio passa pela aplicação da medicina de precisão para alcançar um acompanhamento personalizado.
 

European Association for the Study of Diabetes (EASD). 61st EASD Annual Meeting, Viena, Áustria, 16–19 de setembro de 2025. Disponível em: https://www.easd.org/annual-meeting/easd-2025.html

 

MAT-PT-2500846 V2 – Novembro 2025