EDENT1FI – Rastreio populacional da DT1 na Europa
Autor: Campus Sanofi
Fique a conhecer os avanços do projeto EDENT1FI, uma iniciativa europeia que visa transformar o diagnóstico precoce da diabetes tipo 1 autoimune (DT1) em crianças e adolescentes. O estudo foi apresentado pelo Prof. João Filipe. Raposo no âmbito do simpósio “Genetic Factors Relating to Type 1 and Type 2 Diabetes”, realizado durante o congresso EASD no passado mês de setembro em Viena, sob a moderação de Torben Hansen, Anna Nowak-Szwed e Adam Tabák.
Rastreio na população geral: uma nova estratégia europeia
Durante a sua intervenção, o Prof. Raposo apresentou o ambicioso projeto do consórcio Identify, que tem como objetivo rastrear 200.000 crianças e adolescentes europeus para detetar DT1 em fase pré-sintomática. Ao contrário de outros estudos centrados em familiares de pacientes, o EDENT1FI aposta no rastreio da população geral, dado que mais de 90% dos casos de DT1 ocorrem em pessoas sem antecedentes familiares.
Em apenas cinco meses, já foi alcançado 25% do objetivo, com mais de 50.000 crianças rastreadas em diferentes contextos, como escolas, cuidados primários e testes domiciliários. O protocolo inclui uma primeira amostra capilar para deteção de autoanticorpos, seguida de uma prova confirmatória nos casos positivos.
Os primeiros resultados mostram que 2,5% das crianças apresentam resultados positivos no rastreio inicial, embora após confirmação, apenas 0,28% sejam diagnosticadas com DT1 em fase precoce. Desses casos confirmados, 76% encontram-se no estádio 1, 15% no estádio 2 e 9% já progrediram para o estádio 3. Estes dados oferecem uma visão valiosa sobre a prevalência da doença pré-sintomática em diferentes populações europeias.
Para além do diagnóstico: sensibilização e apoio
Para além de identificar casos em fases iniciais, o projeto pretende gerar consciência sobre a DT1 entre profissionais de saúde, população geral e decisores políticos. O consórcio está também a avaliar o impacto psicológico do rastreio em crianças e famílias, oferecendo educação e apoio àqueles que recebem um diagnóstico precoce, e desenvolvendo estratégias adaptadas a diferentes grupos de risco.
O Prof. Raposo destacou que a prevalência de positividade para autoanticorpos (0,28%) parece ser consistente entre várias populações europeias, o que levanta questões sobre o peso relativo dos fatores genéticos face aos ambientais no desenvolvimento da doença.
O estudo deverá concluir-se em outubro de 2028, e espera-se que os primeiros resultados sejam publicados no início do próximo ano. Estes dados serão fundamentais para definir futuras políticas de rastreio e intervenções na Europa, com potencial para se tornar um modelo de referência a nível global.
European Association for the Study of Diabetes (EASD). 61st EASD Annual Meeting, Viena, Áustria, 16–19 de setembro de 2025. Disponível em: https://www.easd.org/annual-meeting/easd-2025.html
MAT-PT-2500847 V2 – Novembro 2025