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Rastreio populacional, diagnóstico precoce e novas estratégias terapêuticas na DT1

Autor: Campus Sanofi
Durante os simpósios internacionais “A New Dawn in DT1” e “BR1DGE Talks: Beyond a Blueprint”, realizados no âmbito do congresso EASD no passado mês de setembro em Viena, especialistas de referência abordaram os mais recentes avanços no rastreio populacional, diagnóstico precoce e estratégias terapêuticas emergentes para a diabetes tipo 1 autoimune (DT1).


Sob a moderação de Sabine Hofer e Alice Cheng, as sessões centraram-se na necessidade de transformar a abordagem clínica da DT1 desde os seus estádios mais iniciais, com o objetivo de melhorar os resultados em saúde e reduzir o impacto da doença a longo prazo.

 

Rastreio na população geral: uma nova prioridade

A Dra. Anastasia Albanese-O’Neill abriu o simpósio destacando que aproximadamente 90% dos casos de DT1 ocorrem em pessoas sem antecedentes familiares, o que reforça a necessidade de implementar programas de rastreio na população geral. A deteção precoce permite reduzir o risco de cetoacidose diabética (CAD), diminuir a carga de complicações ao longo da vida e oferecer às famílias uma oportunidade de preparação através de educação e estratégias de gestão.


Entre os benefícios adicionais do diagnóstico precoce encontram-se a redução dos níveis de HbA1c no estádio 3, menor necessidade de insulina, diminuição da cetonúria e uma menor carga psicossocial. No entanto, a integração destes programas nos sistemas de saúde atuais apresenta barreiras como cobertura limitada, falta de recursos estruturais, custos elevados de rastreio e incerteza por parte de alguns profissionais de saúde quanto aos seus benefícios.


A Dra. Albanese-O’Neill sublinhou que o progresso sustentável na deteção precoce exige fluxos de trabalho otimizados, investimento em infraestruturas de saúde, formação específica e utilização oportuna de imunoterapias emergentes. Destacou ainda o papel das equipas multidisciplinares e de recursos como as plataformas Breakthrough DT1, INNODIA e BR1DGE, bem como a necessidade de formar profissionais e familiares na gestão da DT1.


 

 

Sinais perdidos: quando a DT1 não é reconhecida


A Dra. Carmella Evans-Molina abordou o problema do diagnóstico incorreto em adultos, referindo que 62% dos novos casos de DT1 são diagnosticados em pessoas com mais de 20 anos, e que até 40% destes adultos são inicialmente classificados como tendo diabetes tipo 2. Esta confusão pode atrasar o tratamento adequado e aumentar o risco de complicações como a CAD.


Explicou que não existe uma característica clínica única que permita identificar com certeza a DT1, sendo necessário considerar múltiplos fatores como antecedentes de doenças autoimunes, índice de massa corporal, níveis elevados de HbA1c e resposta ao tratamento típico da diabetes tipo 2. A quantificação do péptido C e a deteção de autoanticorpos são ferramentas essenciais para distinguir entre os tipos de diabetes quando a apresentação clínica é ambígua.


O Dr. Amir Tirosh apresentou um caso clínico e explicou a utilização dos critérios AABBCC para o diagnóstico adequado da DT1. Analisou também se a diabetes gestacional (DG) pode ser um fator de risco para DT1, concluindo que aproximadamente 6% das mulheres com DG evoluem para DT1, especialmente aquelas que necessitaram de insulina durante a gravidez. Sublinhou a importância de melhorar as estratégias de diagnóstico e aumentar a consciencialização para reduzir os erros de classificação.

 

 

 

Para além do diagnóstico: novas estratégias terapéuticas


O Prof. Colin Dayan apresentou os benefícios da preservação da função das células beta em pessoas com DT1, o que se traduz em maior tempo dentro do intervalo glicémico (TIR), menor necessidade de insulina e redução do risco de complicações como retinopatia e nefropatia.

 

Durante a sua intervenção, reviu o mecanismo de ação e os resultados de várias terapias em investigação para os estádios 2 e 3 da doença, como teplizumab, baricitinib, golimumab e ATG. Destacou que o teplizumab demonstrou atrasar a progressão para dependência de insulina entre 2 e 3 anos em doentes no estádio 2. No estádio 4, as opções incluem o transplante de ilhéus, o transplante de pâncreas e a utilização de células de dador alogénico modificadas.


O Prof Dayan concluiu que o futuro do tratamento da DT1 passará pela preservação das células beta através de intervenções precoces, para além da abordagem tradicional baseada exclusivamente na terapêutica com insulina.

Implementação prática do rastreio populacional


Os Professores Ezio Bonifacio e Francesco Giorgino partilharam a sua experiência na implementação de programas de rastreio em diferentes sistemas de saúde. Bonifacio, com mais de 40 anos de experiência no Reino Unido, Itália e Alemanha, destacou que a presença de dois dos quatro autoanticorpos conhecidos indica o inevitável desenvolvimento de DT1. Sublinhou a importância de envolver pediatras e demonstrar o benefício clínico do rastreio para além do âmbito da investigação.


Relativamente ao rastreio em adultos, referiu os desafios específicos: menor presença de autoanticorpos, progressão mais lenta da doença e dificuldade em diferenciá-la da diabetes tipo 2. Identificou como grupos de alto risco os familiares de pessoas com DT1 e indivíduos com outras doenças autoimunes, embora tenha recordado que 90% dos casos ocorrem sem antecedentes familiares.


Por sua vez, o Prof. Giorgino destacou a necessidade de maior coordenação entre endocrinologistas pediátricos e de adultos, bem como entre sociedades científicas, para estabelecer protocolos comuns e programas educativos conjuntos. Referiu a lei aprovada em Itália em 2023 que estabelece o rastreio universal na população pediátrica em quatro regiões, com planos de expansão nacional, com o objetivo principal de prevenir a CAD em casos não diagnosticados.


Giorgino apresentou ainda dados recentes que mostram que adultos com 2 autoanticorpos positivos (Estádio 2) que desenvolvem disglicemia progridem para diabetes clínica ao mesmo ritmo que crianças em Estádio 2, reforçando a importância do rastreio precoce em todas as faixas etárias.

 

European Association for the Study of Diabetes (EASD). 61st EASD Annual Meeting, Viena, Áustria, 16–19 de setembro de 2025. Disponível em: https://www.easd.org/annual-meeting/easd-2025.html

 

MAT-PT-2500843 V2 – Novembro 2025