“Os doentes devem receber primeiro as melhores terapêuticas”
Esta é a visão de Catarina Geraldes, hematologista da ULS de Coimbra, a propósito do papel dos anticorpos anti-CD38 no tratamento em primeira linha do mieloma múltiplo. A especialista moderou a primeira edição do Experts Forum “Take the Lead in MM”, o evento organizado pela Sanofi, no dia 23 de janeiro, em Coimbra. Assista à entrevista.
Catarina Geraldes afirma que, no mieloma múltiplo, “a evidência é já suficientemente robusta para a utilização do anticorpo monoclonal anti-CD38, em primeira linha, quer em doentes elegíveis, quer em doentes não elegíveis para transplante”. A especialista destaca ainda que “os doentes devem receber primeiro as melhores terapêuticas, porque sabemos que há doentes que vão perdendo a oportunidade de uma segunda ou de uma terceira linha”. Assim, “se não sabemos se os doentes chegam a uma linha posterior, é de toda a conveniência que façam a melhor terapêutica em primeiro lugar, até porque é onde essa terapêutica tem maior probabilidade não só de alcançar respostas mais profundas, mas também mais duradouras e, portanto, com uma repercussão direta na sobrevivência livre de progressão e na sobrevivência global”, explica a médica, reforçando que “os doentes com as melhores terapêuticas vivem mais tempo e mais tempo sem manifestações da doença”.
“A associação do anticorpo monoclonal anti-CD38 aos regimes de primeira linha mostrou que as respostas não só são mais profundas e mais duradouras, mas também que a toxicidade é gerível e que, ainda que possa existir mais alguma toxicidade, nomeadamente do ponto de vista hematológico ou do ponto de vista de risco infecioso, é possível prevenirmos ou gerirmos estas complicações, de modo a não ser necessário reduzir as doses nem espaçar a administração dos fármacos”, esclarece Catarina Geraldes. A especialista frisa que este regime “é possível de fazer não apenas em doentes mais jovens, elegíveis para transplante, mas também em doentes mais idosos”. E justifica: “a subanálise de doentes mais idosos do ensaio IMROZ (Isatuximab + VRd) mostrou que, de facto, mesmo esses doentes – com uma mediana etária de 75 anos, que variou entre os 65 e os 80 anos –, tinham uma vantagem clara quando comparados com os resultados alcançados com os doentes tratados com o tripleto”. Na opinião da médica, além de ser “eficaz”, a terapêutica com quadrupletos à base de anti-CD38 é “facilmente gerida e bem tolerada pela maioria dos doentes, mesmo doentes mais idosos e doentes com algumas fragilidades”.
Catarina Geraldes não tem dúvidas quanto às “vantagens” dos quadrupletos com anti-CD38 no mieloma múltiplo recém-diagnosticado, nem quanto à “evidência científica que está neste momento publicada, que é conhecida e tem sido partilhada em reuniões internacionais e por colegas com mais experiência”. Na sua perspetiva, o que é necessário é “haver o financiamento desta combinação terapêutica, de modo que possa ser utilizada de forma mais disseminada em todos os nossos centros a nível nacional”.
As opiniões, conclusões e recomendações expressas neste documento são da autoria exclusiva de cada autor e não representam necessariamente a posição oficial da Sanofi. Este documento é fornecido apenas para fins informativos e educacionais. As informações contidas não constituem aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Os leitores devem consultar profissionais de saúde qualificados para questões médicas específicas.
MAT-PT-2600469 V1.0 07/26
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