“A idade e a fragilidade não são um critério para selecionar doentes, mas sim para ser cuidadoso”
No âmbito da primeira edição do Experts Forum “Take the Lead in MM”, Enrique Ocio, do Hospital Universitário Marqués de Valdecilla, destaca os contributos dos quadrupletos com anticorpos anti-CD38 no tratamento de primeira linha de doentes com mieloma múltiplo não elegíveis para transplante. O evento, organizado pela Sanofi, teve lugar em Coimbra, no dia 23 de janeiro. Assista à entrevista.
Enrique Ocio explica que, até agora, os standards de tratamento dos doentes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado não elegíveis para transplante autólogo de progenitores hematopoiéticos eram “os tripletos com anti-CD38, lenalidomida e dexametasona, com os quais obtínhamos resultados muito bons – uma sobrevivência livre de progressão de cinco anos e uma percentagem elevada de respostas completas, mas não muitas com doença residual mensurável negativa”. Segundo o especialista, “estes doentes precisam cada vez mais de melhores opções de tratamento, pois apesar de não serem candidatos a transplante, ainda são jovens; é por isso que acreditamos que podemos intensificar o tratamento”.
Por sua vez, “os quadrupletos com anti-CD38, bortezomib, lenalidomida e dexametasona permitiram que os doentes alcançassem respostas completas muito profundas, levando a uma sobrevivência livre de progressão de oito, nove ou dez anos”, relata o médico. “Além disso, estas combinações terapêuticas são bem toleradas pelos doentes, se fizermos as adaptações de dose adequadas”, sublinha.
Assim, “a combinação de isatuximab, bortezomib, lenalidomida e dexametasona tornou-se num novo standard de tratamento para doentes mais velhos, com base nos dados de eficácia e segurança dos estudos IMROZ e TCD13983”, refere Enrique Ocio. “Podemos perguntar-nos se estes quadrupletos são demasiado intensos para alguns dos doentes, particularmente idosos ou frágeis. Nesta subanálise dos dois estudos, o que se verificou foi que, de facto, os doentes com menos de 75 anos de idade obtinham melhores resultados, mas os doentes com mais de 75 anos beneficiaram claramente da introdução do quadrupleto. O mesmo aconteceu com os doentes frágeis, que obtiveram resultados um pouco inferiores aos dos doentes não frágeis, mas também vimos claramente o benefício que esses doentes tinham. Portanto, a idade e a fragilidade não são um critério para selecionar os doentes, mas sim para ser cuidadoso e adaptar as doses do tratamento”, frisa o hematologista.
Na opinião de Enrique Ocio, “praticamente todos os doentes recém-diagnosticados devem receber um anti-CD38”. “A dúvida que se coloca é se o doente deve receber um quadrupleto ou um tripleto, mas o anti-CD38 tem de estar sempre presente, pois representa claramente uma melhoria diferencial para estes doentes” defende. Na sua prática clínica, o especialista utiliza “o quadrupleto na maior parte dos doentes”, porque “a maioria irá tolerá-lo bem”. Reconhece, porém, que pode haver “um grupo de doentes muito idosos, muito frágeis, que dificilmente são candidatos ao tratamento intensivo e que poderiam beneficiar de outras alternativas, as quais seriam praticamente paliativas”. O médico identifica ainda um grupo de doentes que classifica de “intermédios”, os quais “beneficiariam de um tripleto sem dexametasona”.
Enrique Ocio lembra que “até muito recentemente, tínhamos opções de tratamento limitadas e conformávamo-nos em ter respostas completas e muito boas respostas parciais. Com os novos tratamentos de que dispomos atualmente – os quadrupletos –, alcançamos respostas muito profundas, com doença residual mensurável negativa em até 60% dos doentes que não são candidatos a transplante. Isto é algo que era absolutamente inimaginável há alguns anos atrás”. De acordo com o especialista, “o facto de agora termos respostas tão profundas, tão boas, poderá permitir-nos diminuir a intensidade do tratamento. Temos respostas muito boas no início e, depois, temos de as manter, mas com tratamentos mais cómodos para o doente, em que reduzimos a toxicidade e melhoramos muito a tolerabilidade”. Para Enrique Ocio, esta é a mensagem principal: “tratamentos intensivos no início, mas muito rapidamente, principalmente em doentes mais velhos, ser muito pró-ativo na redução da dose para melhorar a tolerabilidade e a segurança no doente”.
As opiniões, conclusões e recomendações expressas neste documento são da autoria exclusiva de cada autor e não representam necessariamente a posição oficial da Sanofi. Este documento é fornecido apenas para fins informativos e educacionais. As informações contidas não constituem aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Os leitores devem consultar profissionais de saúde qualificados para questões médicas específicas.
MAT-PT-2600469 V1.0 07/26
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