“A inclusão de um quadrupleto com anti-CD38 é fundamental”
Rui Bergantim, da ULS de São João, foi um dos palestrantes da primeira edição do Experts Forum “Take the Lead in MM”, organizado pela Sanofi, a 23 de janeiro, em Coimbra. Em entrevista, o hematologista comenta a importância dos quadrupletos com anticorpos anti-CD38 no tratamento de primeira linha de doentes com mieloma múltiplo elegíveis para transplante autólogo de progenitores hematopoiéticos. Assista ao vídeo.
Rui Bergantim considera que, no mieloma múltiplo recém-diagnosticado, “cada vez faz mais sentido pensar numa terapêutica personalizada”, isto é, “pensar sempre qual é o quadrupleto ideal para determinado perfil de doente e que claramente não há nenhuma justificação para continuar a usar um tripleto em primeira linha”. Neste sentido, “a inclusão de um quadrupleto com anti-CD38 é fundamental”. Em doentes elegíveis para transplante autólogo de progenitores hematopoiéticos, “dos três quadrupletos que temos neste momento – DaraVTd [daratumumab-bortezomib-talidomida-dexametasona], DaraVRd [daratumumab-bortezomib-lenalidomida-dexametasona] e IsaVRd [isatuximab-bortezomib-lenalidomida-dexametasona] –, claramente que DaraVTd não é uma opção que se deva continuar a fazer”, afirma o médico, fundamentando a sua posição com os “resultados superiores com DaraVRd e IsaVRd”.
Relativamente ao objetivo terapêutico em primeira linha, Rui Bergantim antevê que será “muito difícil continuarmos a usar a PFS [sobrevivência livre de progressão] como endpoint primário”. “Os resultados que temos atualmente com doença residual mensurável negativa ao fim da indução e ao fim da consolidação, demonstram claramente que estes quadrupletos [DaraVRd e IsaVRd] atingem doenças residuais mensuráveis negativas muito superiores ao que conseguimos ter com tripletos ou mesmo com outros quadrupletos, como por exemplo DaraVTd”, comenta. “Neste momento, o nosso objetivo numa primeira linha é ter uma doença residual o mais profunda possível”, defende.
Os resultados do ensaio clínico GMMG-HD7 reforçam que a profundidade de resposta é atingida precocemente com IsaVRd (Mai et al., JCO 2025). Rui Bergantim reconhece, que “uma doença residual mensurável negativa após a indução pode-nos levar a equacionar algumas decisões”. Por exemplo, “em doentes perto dos 70 anos, se faz sentido ou não transplantar” ou até “mesmo após consolidação ou após manutenção, também nos vai poder ajudar a decidir parar ou não precocemente terapêutica”.
Os dados do estudo GMMG-HD7 demonstram ainda que IsaVRd não compromete a mobilização nem a viabilidade do transplante (Mai et al., JCO 2025). Rui Bergantim lembra que “sempre que há uma mudança de indução, há o receio de não conseguirmos colher células; quando juntamos o anti-CD38, levanta-se novamente a questão, também pelas especificidades do mecanismo de ação do fármaco, pois sabemos que este altera o microambiente e que as células estaminais CD34 expressam CD38”. No entanto, “se otimizarmos o tempo da mobilização, este medo é facilmente ultrapassado”, garante o hematologista. Assim, salienta a importância da “comunicação entre os centros referenciadores e os centros transplantadores, de maneira que consigamos colher as células entre o terceiro e o quarto ciclo após início de terapêutica”.
Na opinião de Rui Bergantim, “a maior parte dos protocolos que, neste momento, tratam mieloma acabam por permitir uma melhoria da qualidade de vida”. “Têm menor toxicidade e muitos deles têm formulações mais fáceis de administrar”, especifica, referindo que “isso acaba por se refletir na qualidade de vida”. “Se pensarmos que podemos ter protocolos que induzem respostas rapidamente, mais rapidamente vamos ter melhor qualidade de vida e isso nota-se muito nos doentes, porque onde temos protocolos que demoram muito tempo a ter resposta, vamos ter os sintomas da doença e os efeitos laterais do tratamento. Quando conseguimos respostas rápidas, os sintomas da doença rapidamente são controlados e isso faz toda a diferença”, remata.
As opiniões, conclusões e recomendações expressas neste documento são da autoria exclusiva de cada autor e não representam necessariamente a posição oficial da Sanofi. Este documento é fornecido apenas para fins informativos e educacionais. As informações contidas não constituem aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Os leitores devem consultar profissionais de saúde qualificados para questões médicas específicas.
MAT-PT-2600469 V1.0 07/26
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